Rumores do Fim

Matéria Originalmente publicada em Abril de 2009.

Atualizada em Nov 2010. 

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Debate no Orkut com Daniel Spencer Sobre Música

Já faz algum tempo, o irmão Daniel Spencer, missionário português independente, tem causado bastante alvoroço com suas palestras nas igrejas do Brasil e exterior.

Não é de admirar, o adventista é naturalmente atraído a teorias de conspiração e sensacionalismo profético. Nossa ênfase aos eventos finais acaba gerando um subproduto de medo e alarme.

Gostaria de analisar a minha impressão de algumas abordagens das palestras do irmão Spencer, cujos áudios e vídeos estão amplamente disponíveis na internet hoje. 

Creio que o resultado das palestras tende a desviar os ouvintes do sentido real das profecias e eventos finais.

Cristo não é o centro da mensagem. Em uma palestra de 2 horas, o irmão Spencer mencionou muito pouco a centralidade de Cristo nos eventos finais. Sua ênfase foi carregada nos enganos de Satanás, Nova Era, malabarismos numerológicos e alarmismo. Por essa razão, os enganos de Satanás parecem ser o centro de sua mensagem e não Cristo.

Ao conversar com um amigo bastante devoto aos ensinos de Spencer (na época, 2008), notei uma preocupação exagerada com os enganos de Satanás. Tudo o que ele falava era sobre Satanás. Será essa uma característica dos seguidores de Spencer?

Numerologia exagerada. Me pareceram bastante remotos e exagerados os paralelos que ele traçou entre números, datas e o fim. Por exemplo, ele fala que 11 de Setembro é o início da nova ordem mundial porque 6 é o número de homem e o 9 é o 6 invertido (!). Já o número 11 refere-se a duas pontas do pentagrama satânico expressado pelas formas ^ ^. Nessa mesma veia, a marca Volkswagen, representada por 3 ^ (VW) torna-se cúmplice dos enganos satânicos no tempo do fim. Outras marcas automobilísticas também são mencionadas.

Parece que na intenção de traçar esses paralelos e "apressar a vinda", o irmão acaba perdendo o bom senso.

Dedicação aos esportes como prática da Nova Era. Praticar esportes agora virou submissão a Lúcifer!? Ele menciona que o Basquetebol refere-se a rituais espiritualísticos por representar a fertilização da Lua (cesta) pelo Sol (bola).

Essa abordagem não alimentaria alguns irmãos extremistas em nosso meio? 

O Manual da IASD é "inspirado". O irmão Spencer parece inferir que o Manual da Igreja é inspirado e o equipara à revelação em suas palestras. Está aí mais uma prova de que suas idéias são comprometidas com uma preocupação em controlar e regulamentar comportamentos através da política do alarme quanto ao tempo do fim. Não é por aí, afinal, o Manual são meras sugestões que são alteradas em diferentes lugares e situações, cabendo ao Espírito a guia da Igreja em situações diversas.

Baterias na Igreja como sinal do fim. O irmão Spencer cita Ellen White que menciona tambores sendo usados para criar experiências espiritualistas no tempo do fim. Leiamos o que EGWhite diz precisamente:

"Demonstrar-se-á tudo quanto é estranho.
Haverá gritos com tambores, música e dança. Os sentidos dos seres racionais ficarão tão confundidos que não se pode confiar neles quanto a decisões retas. E isto será chamado operação do Espírito Santo." (Mensagens Escolhidas, v.2, p. 36)
(Clique aqui para ler minha análise exaustiva sobre essa passagem).

Esse argumento de que bateria é do diabo é tão surrado quanto dizer que quem usa barba é terrorista. Vale ressaltar que Davi sugeriu que todos os instrumentos sejam usados no louvor a Deus (Salmo 150).
Talvez seria a hora de revisar o Manual da Igreja onde se lê que instrumentos usados no Jazz não são próprios para a adoração.

Spencer também protesta o fato de que a bateria é usada para sincopar ritmos ou enfatizar o segundo tempo de um compasso. Essa reserva contra o uso da bateria é completamente inócua. E daí se o terceiro tempo é enfatizado e não o primeiro? Quem criou a regra de que um tempo do compasso é mais santo do que o outro?

A síncope é usada em toda a música erudita, sem protesto algum dos tradicionalistas. Porém, o hino Brilha Jesus se torna anátema porque é composição contemporânea.

Tendências perfeccionistas. Uma ênfase exagerada em entender exatamente o que vai acontecer a cada passo do fim tende a cair no perfeccionismo, porque essa abordagem enfatiza o que EU devo fazer para ser salvo e não o que DEUS fará para me salvar. Embora tenhamos uma visão bem clara do que acontecerá no fim, não temos TODOS os detalhes. O historicismo deixa algumas lacunas no entendimento da profecia, até porque Deus não revelou tim-tim por tim-tim como tudo vai acontecer. A única profecia não condicional é a segunda vinda, como vamos chegar lá, Deus pode adaptar.

Tenho que me preocupar mais em desenvolver um relacionamento com Cristo, um desejo intenso de estar na Sua presença e com certeza estarei salvo.


"Não somos salvos pelo QUANTO conhecemos e sim por QUEM conhecemos."

Essas são algumas das idéias notáveis de Daniel Spencer, com certeza haverá muitas outras a serem discutidas. Que a Igreja estude mais o que já foi revelado em vez de se deixar levar por todo vento de doutrina, mesmo que esses ventos sejam bem intencionados e surjam até mesmo de dentro da Igreja.


(Desde Abril de 2009 quando esse artigo foi publicado, muitos outros blogueiros e foristas analisaram exaustivamente as palestras de Spencer. Um bom exemplo é a Comunidade dos Jovens Adventistas no Orkut, cujo tópico sobre Daniel Spencer passou de 4.000 comentários.) 

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