Natal, Festa Pagã?



Todo mês de dezembro oferece uma oportunidade a Igrejas Adventistas em todo o mundo de celebrar o Nascimento de Cristo.

Para muitos, porém, esse período é marcado por consumismo e secularismo.

Mas qual deveria ser a posição adventista frente à celebração do Natal?

Os argumentos contra a celebração do Natal são mais ou menos os seguintes: a data 25 de dezembro coincide com um festival romano, possivelmente o Sol Invictus, e por isso a celebração do nascimento de Cristo neste dia tem associações com o paganismo e não deve ser celebrada por Cristãos.

Primeiramente, precisamos entender que há divergências quanto à real razão da escolha da data em dezembro. Alguns argumentam que a data foi escolhida por marcar 9 meses da concepção de Maria, segundo a Festa da Anunciação. Outros ainda acreditam que a data foi escolhida por marcar o solstício vernal no hemisfério Norte que torna o dia mais longo, sendo assim um símbolo desejável do Advento de Cristo que traz "luz ao mundo".

Por outro lado, há indícios de que o nascimento do Sol transformou-se em um símbolo de Jesus para Cristãos na época em que o Natal foi instituído. Fatos históricos mostram que a simbologia de Cristo como SOL INVENCÍVEL (Sol Invictus) surgiu no cristianismo já no ano de 250A.D., como pode ser vista em uma pintura descoberta em um ruínas de um mausoléu sob a Catedral de São Pedro no Vaticano.

Essa prática parece ter-se baseado em Malaquias 4:2:

"Mas para vós, os que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo curas nas suas asas; e vós saireis e saltareis como bezerros da estrebaria."

Esse simbolismo de Jesus Cristo como o Sol Invictus se deve possivelmente ao fato de que os cristãos fiéis na época do surgimento do Natal (3-4 Séculos) viviam em constante conflito com o estabelecimento romano e muitos desses símbolos, em vez de representar um sincretismo religioso, proviam na realidade uma contrafação cristã à simbologia idólatra romana.

O Natal foi instituído com o único objetivo de celebrar a Natividade.  A acusação de sincretismo religioso não tem força.

Por isso, creio que a rejeição das celebrações de Natal devido a supostas "origens pagãs" carece de respaldo histórico. E mesmo que houvesse essas associações periféricas, o argumento ainda estaria baseado na falácia lógica da culpa por associação, ou seja, se a data da celebração do Natal coincide com um festival pagão, então essa associação com o paganismo desqualifica o Natal.

Há também outra falácia lógica aí, a "falácia genética" em que a origem de certa afirmação (ou evento) aprova ou desaprova sua validez. Por exemplo, José diz que 1+1=2; meus pais dizem que 1+1=3; José está errado porque acredito em meus pais.)






A argumentação contra o  Natal continua dizendo que, porque ele foi instituído pela Igreja Católica, aceitá-lo seria como aceitar a guarda do domingo. Mas veja que o Cânon Sagrado também foi preservado pela Igreja Católica e finalizado ao redor do mesmo tempo do estabelecimento do Natal. Por que não vemos os críticos do Natal rejeitando a Bíblia por suas associações com o catolicismo?

Símbolos têm o significado que damos a eles.

A Bíblia tem vários exemplos de símbolos pagãos que foram usados para expressar verdades eternas, como a serpente no deserto que era símbolo de um Deus egípcio e símbolo do Dragão (Apo. 12) mas que Deus usou como símbolo de Cristo (João 3:14). A cruz era símbolo de tortura e opressão pelos romanos mas Deus a usou para realizar a expiação. O uso cristão desses símbolos modificou suas conotações.

Invertendo um pouco a analogia, o arco-íris foi usurpado pelo movimento homossexual e tem hoje fortes associações pagãs. Por que não vemos os críticos do Natal rejeitando o arco-íris como um símbolo da promessa divina após o dilúvio por causa dessa associação?

Símbolos têm o significado que damos a eles.

É certo que a Bíblia não revela a data do nascimento de Cristo e muitos se apegam a isso também para rejeitar o Natal. Mas não temos na Bíblia tampouco uma condenação de celebrações da Natividade. Saber a data é irrelevante, pois comemoramos o evento e não uma data! Quem sabe Deus velou a data para nos concentrarmos justamente no evento, já pensou nisso?

Aliás, a grande celebração que houve no céu e na terra naquela ocasião nos autoriza cristãos em todo o mundo a repetir o "cântico de Belém". Veja:



"Glória a Deus nas alturas,
Paz na Terra, boa vontade para com os homens." Luc. 2:14.

Quem dera que a família humana pudesse hoje reconhecer este cântico! A declaração então feita, a nota vibrada então, avolumar-se-á até ao fim do tempo, e ressoará até aos extremos da Terra. Quando se erguer o Sol da Justiça, trazendo salvação sob Suas asas, esse cântico há de ecoar pela voz de uma grande multidão, como a voz de muitas águas, dizendo: "Aleluia, pois já o Senhor Deus todo-poderoso reina." Apoc. 19:6.
A história de Belém é inexaurível. Nela se acham ocultas as "profundidades das riquezas, tanto da sabedoria como da ciência de Deus". Rom. 11:33." (O Desejado de Todas as Nações, p. 48)

Veja como E. G. White também usa a analogia do nascimento do Sol ao falar do nascimento de Cristo!

A nota vibrada então, avolumar-se-á até ao fim do tempo, e ressoará até aos extremos da Terra." A menos que eu e você façamos essa nota angélica soar o som desse hino morreu 2.000 atrás! Nós somos as vozes desse anjos para as pessoas HOJE!

Como celebrar o Natal na Igreja?

Estatísticas demonstram que o Natal é o período do ano em que as pessoas se acham mais abertas a assuntos espirituais. Temos aí uma oportunidade fantástica de testemunhar. O ideal então seria celebrar TODO o mês de dezembro como um período de festa espiritual, não necessariamente só o dia 25 de dezembro.

Não devemos desperdiçar essa oportunidade com discussões fúteis e falaciosas sobre o "paganismo" do Natal. Façamos do Natal um evento Cristão porque Cristo é o centro!

Muitos dos comentários de adventistas contra o Natal em blogs e fóruns exalam um azedume injustificável contra as celebrações Natalinas. Alguns até chamam o período de "maldito Natal".  No mesmo capítulo do Desejado, E.G. White também revela a atitude de Satanás para com o nascimento de Cristo:

Satanás aborrecera a Cristo no Céu, por causa de Sua posição nas cortes de Deus. Mais O aborreceu ainda quando se sentiu ele próprio destronado. Odiou Aquele que Se empenhou em redimir uma raça de pecadores. (DTN 49)

Creio que corremos o risco de cair no mesmo espírito do inimigo ao nos opormos ao Natal com um "engano satânico" apesar de toda a beleza de seu significado cristão. Também não é cristão impor nossos devaneios sobre o paganismo sobre irmãos que estão querendo usar esse período para celebrar a Cristo.

Há quem defenda o Hanukkah como uma festa que Jesus possivelmente aprovaria neste período, pois ele teria participado dela quando criança. A dificuldade em aceitar essa idéia é que primeiramente não há provas que Jesus tenha realmente participado de tal festa (veja João 10:22-24); mas independente desse detalhe, é difícil conceber que Jesus preferiria que seus filhos celebrem uma festa judaica pré-cruz que era uma mera "sombra" dele próprio em detrimento da celebração da sua própria encarnação! O Hanukkah para os judeus hoje também significa "liberdade religiosa" e é mais uma declaração política do que espiritual.

Qual deveria ser nossa atitude para com o Natal? Deveríamos nós adventistas rejeitar o Natal por origens pagãs?  

Não, pois não há na celebração da Natividade "origens pagãs".
Apesar de o Natal possivelmente coincidir com outras datas seculares, em si, ele celebra um evento profundamente Cristão, a encarnação de Jesus Cristo. O EVENTO celebrado é que cristianiza a data. (O Sábado para a vasta maioria dos Adventistas de fala inglesa cai no dia de Saturno, o Saturn-day, nem por isso aboliremos a guarda desse nesses países!)

Alguns acham que o Natal pode ser celebrado mas de maneira diferente: não deveria ser celebrado na Igreja, para os "santos" e sim fazendo obras de caridade, cuidando de enfermos, mendigos, etc.

Sem dúvida, Jesus foi o "servo dos servos" e celebrá-lo deveria levar-nos ao serviço. Portanto, vamos fazer o bem neste período pois as pessoas estão abertas a isso: mutirões de Natal, ministérios pessoais, beneficência cristã.

Confesso que minhas lembranças do Natal no Brasil não são boas. As músicas de Papai Noel tinham a preeminência. Moro nos EUA há 15 anos e só aqui aprendi a apreciar o lado Cristão do Natal. Não só pela mudança de estação, (a maioria dos meus Natais aqui foi no inverno com neve!) mas porque há uma verdadeira explosão de celebração de Jesus Cristo no mundo Cristão aqui. Há também o secularismo e consumismo mas este espírito não se sobrepõe a meu ver ao significado cristão do período.

Sugiro que os Adventistas sejam líderes de uma revolução cultural com grandes celebrações de Natal com musicais, cantatas, programas especiais na Igreja e para a comunidade. Que nossas Igrejas chacoalhem o torpor e dúvidas que as envolvem sobre esse período e se encham de hinos de louvor ao bebê de Belém!

Que haja enfeites, luzes, árvores de Natal (afinal, a árvore é um símbolo de Jesus também!), encenações de Natal e tudo o que exalte o nome daquele que nasceu em Belém.

Voltando à pergunta inicial: o Natal é pagão?

Tudo depende de COMO o celebramos:

Se nos ajoelhamos perante os deuses consumistas desse século, ele será pagão e secular.

Se nos ajoelhamos ao pé da manjedoura e contemplamos o mistério da encarnação, faremos de Cristo o centro!

Espero que seu Natal seja um período de luz, paz e ESPERANÇA!

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Estudo Barna Revela Deficiências na Abordagem Adventista

Autor: Alexandre Carpenter
Fonte: Spectrum Magazine www.SpectrumMagazine.org
 
O relatório recém publicado sobre um projeto de cinco anos do Grupo Barna sintetiza oito estudos nacionais e levanta algumas sérias questões para aqueles que se preocupam com os jovens adventistas.

Enquanto lia as seis razões pelas quais os jovens cristãos deixam suas comunidades de fé, eu pensei no sermão de inauguração do presidente Ted Wilson, algo que ele tem repetido várias vezes desde então. Ao ler este estudo e comparar com aquele sermão, um fato impressionante salta aos olhos: Ted Wilson emprega a própria linguagem e visão de mundo que a maioria dos jovens cristãos descrevem como sendo o problema. Para tentar mostrar como a liderança da Conferência Geral está dando  exatamente a mensagem errada aos nossos jovens, eu comparei as seis razões da pesquisa Barna com citações do sermão de Ted Wilson em Atlanta, "Vá Adiante".

Razão # 1 - A igreja parece ser superprotetora.

 
Algumas das características que definem os adolescentes e  jovens hoje são: o acesso sem precedentes a idéias e visões de mundo, bem como seu consumo prodigiosa da cultura popular. Como cristãos, eles expressam o desejo de que sua fé em Cristo se conecte ao mundo em que vivem. No entanto, grande parte da sua experiência do cristianismo parece ser sufocante, baseada no medo e a fuga de qualquer risco. Um quarto dos jovens entre 18- 29 anos disse que "os cristãos demonizam tudo que não é da Igreja" (23% indicaram que isso "completamente" ou "em sua maioria" descreve sua experiência). Outras percepções nesta categoria incluem "a igreja ignora os problemas do mundo real" (22%) e "minha igreja é muito preocupada que filmes, música e jogos de vídeo são prejudiciais" (18%).

Ted Wilson: "Nós temos que estar vigilantes para testar todas as coisas de acordo com a suprema autoridade da Palavra de Deus e o conselho com o qual temos sido abençoados nos escritos de Ellen G. White. Não estendam a mão a movimentos ou centros de mega-igreja fora da Igreja Adventista do Sétimo Dia, que prometem sucesso espiritual baseada na teologia defeituosa. Fique longe de disciplinas espirituais não-bíblicas ou métodos de formação espiritual que estão enraizados no misticismo, tais como a oração contemplativa, oração centrante, e o movimento da igreja emergente em que são promovidos. Olhe para dentro da Igreja Adventista do Sétimo Dia para pastores humildes, evangelistas, os estudiosos bíblicos, líderes e diretores de departamentos que podem fornecer métodos e programas evangelísticos que são baseados em sólidos princípios bíblicos e "O tema do Grande Conflito".

Razão # 2 - Adolescentes e jovens descrevem o Cristianismo como superficial.

 
A segunda razão pela qual adolescentes deixam a igreja quando se tornam jovens adultos é que algo está deixando a desejar em sua experiência de igreja. Um terço diz que "a igreja é monótona" (31%). Um quarto desses jovens adultos disse que "a fé não é relevante para a minha carreira ou interesses" (24%) ou que "a Bíblia não é ensinada de forma clara ou o suficiente" (23%). Infelizmente, um quinto destes jovens adultos que participaram de uma igreja quando era adolescente disse que "Deus parece ausente da minha experiência de Igreja" (20%).

   
Ted Wilson: "Embora entendamos que os cultos e culturas variam em todo o mundo, não volte para trás para definições pagãs confusas onde a música e a adoração tornam-se tão focadas na emoção e experiência que você perde o foco central sobre a Palavra de Deus. Toda a adoração, simples ou complexa, deve fazer uma coisa e uma coisa só: levantar a Cristo e colocar para baixo o eu. Métodos de adoração que levantam a performance e o eu devem ser substituídos com uma reflexão simples e doce de uma abordagem centrada em Cristo e bíblica."

Razão # 3 -
A igreja aparenta ser antagônica à ciência.

Uma das razões jovens sentem-se desconectados da igreja ou da fé é a tensão que sentem entre o cristianismo e a ciência. A mais comum das percepções nesta arena é "Os cristãos são muito confiantes de que sabem todas as respostas" (35%). Três em cada dez adultos jovens com uma formação cristã sentem que "as igrejas estão em descompasso com o mundo científico em que vivemos" (29%). Outro quarto abraça a percepção de que "o cristianismo é anti-ciência" (25%). E quase a mesma proporção (23%) disseram ter "sido desconectados pelo debate criação versus evolução." Além disso, a pesquisa mostra que muitos jovens cristãos cientistas estão se esforçando para encontrar maneiras de permanecer fiel a suas crenças e à sua vocação profissional em indústrias relacionadas com a ciência.

  
Ted Wilson: "Não vá para trás para interpretar mal os primeiros onze capítulos do Gênesis ou outras áreas das Escrituras como alegórico ou meramente simbólicos. Como apenas esta semana mais uma vez afirmamos, de forma esmagadora, a Igreja Adventista do Sétimo Dia ambos ensina e acredita no relato bíblico da criação, que teve lugar recentemente, em seis dias literais, consecutivos, 24 dias contíguos hora. A Igreja Adventista do Sétimo Dia nunca vai mudar sua posição ou crença em que a doutrina fundamental. Se Deus não criou o mundo em seis dias literais e, em seguida, abençoou o dia de sábado, por que estamos adorando hoje neste sábado do sétimo dia  como adventistas do sétimo dia? Não entender ou interpretar mal esta doutrina é negar a Palavra de Deus e de negar o propósito do movimento adventista do sétimo dia como a igreja remanescente de Deus chamados a proclamar as três mensagens angélicas com o poder do Espírito Santo. Não vá para trás para a evolução teísta ou ateísta, vá em frente para a compreensão profética que a lealdade a Deus, o Criador e Redentor, será visto na observância do sábado do sétimo dia como a característica distintiva do povo de Deus no final de tempo."

[Nota: O site AdventismoHoje não subscreve de nenhuma forma ao evolucionismo teísta que permeia certos segmentos da igreja adventista. Entretanto, mesmo estando firme ao lado da doutrina da Criação recente, precisamos evitar as abordagens rígidas e que não conduzem ao diálogo e que acabam ostracizando cientistas e pensadores Adventistas que lutam constantemente com essas questões.]

Razão # 4 - A experiência de jovens cristãos em relação a sexualidade é muitas vezes simplista e julgadora.


Com o acesso irrestrito à pornografia digital e imersos em uma cultura que valoriza a hiper-sexualidade acima da integridade, adolescentes e jovens adultos estão lutando com a forma de viver uma vida em termos de sexo e sexualidade. Uma das tensões significativas para muitos jovens crentes é como viver à altura das expectativas da igreja sobre a castidade e da pureza sexual nesta cultura, especialmente porque a idade do primeiro casamento agora é comumente adiada para o final dos vinte anos. A pesquisa indica que a maioria dos cristãos jovens são tão sexualmente ativos quanto seus colegas não-cristãos, apesar de serem mais conservadoras nas suas atitudes sobre a sexualidade. Um sexto de jovens cristãos (17%) disseram que "cometeram erros e sentem-se julgados na igreja por causa deles."

    Ted Wilson não tratou do assunto.

Razão # 5 - Jovens lutam com a natureza exclusivista do cristianismo.
 
Os jovens americanos foram moldadas por uma cultura que preza a mente aberta, a tolerância e aceitação. A juventude de hoje e jovens adultos também são a geração mais eclética da história americana em termos de raça, etnia, sexualidade, religião, ferramentas tecnológicas e as fontes de autoridade. A maioria dos jovens querem encontrar áreas de interesse comum uns com os outros, às vezes, mesmo que isso signifique encobrir diferenças reais. Três em cada dez jovens cristãos (29%) disse que "as igrejas têm medo das crenças de outras religiões" e uma proporção idêntica sente que eles são "forçados a escolher entre minha fé e meus amigos." Um quinto dos adultos jovens com um cristão fundo disse que "igreja é como um clube de campo, só para gente de dentro" (22%).

  
Ted Wilson: "Devemos ser um povo peculiar, o povo remanescente, para levantar Cristo, Sua justiça, as mensagens de seus três anjos de Apocalipse 14, e Sua vinda. Se você adorar a besta e a sua imagem você.... está rejeitando o sinal que Deus proclamou como Seu teste de fidelidade ... ... .. o sábado do sétimo dia... A observância do sábado não é apenas um sinal de Sua criação, mas será o sinal do povo de Deus em últimos dias, em contraste com aqueles com a marca da besta representa uma tentativa de manter um dia santo, que Deus não tenha como sagrado."

Razão # 6 - A Igreja aparenta ser hostil para com aqueles que tem dúvidas e questionamentos.

Jovens com experiência cristã dizem que a Igreja não é um lugar que lhes permite expressar dúvidas. Eles não se sentem seguros em admitir que às vezes o Cristianismo não faz sentido. Além disso, muitos sentem que a resposta da Igreja quanto à dúvida é trivial. Algumas das percepções a este respeito não incluem a capacidade "para fazer minhas perguntas mais prementes da vida na igreja" (36%) e ter "dúvidas intelectuais  significativas sobre a minha fé" (23%). Em um tema relacionado sobre como igrejas lutam para ajudar os jovens adultos que se sentem marginalizados, cerca de um em cada seis jovens com uma formação cristã disse que a sua fé "não ajuda com a depressão ou outros problemas emocionais" pelods quais passam (18%).

   
Ted Wilson: "Você está enfrentando:
    - Montanhas de dúvida secular na Bíblia?
    - Um mar de interpretação liberal da Palavra de Deus?
    - Exércitos de confusão espiritual?
    Deus diz que somos uma nação santa e um povo peculiar  "Vá adiante."
  
Nota: Segundo o secretário da Associação Geral G. T. Ng, a IASD batizou 25 milhões de pessoas nos últimos 50 anos mas 8 milhões apostataram no mesmo período. E eu arriscaria em dizer que esses 30% podem chegar facilmente a 50%, ou seja, a Igreja perde de 30-50% dos membros batizados. Esse vácuo evangelístico precisa ser cuidadosamente abordado e creio que a pesquisa do Grupo Barna indica onde está parte do problema.


O site AdventismoHoje frequentemente recebe emails de profissionais de várias áreas preocupados com a falta de abertura ao diálogo por pastores e líderes da IASD no Brasil e pedindo para que continuemos com o jornalismo responsável e inteligente. Por isso, nosso objetivo continuará sendo a abertura ao diálogo.
 

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ENQUETE: Que Tipo de Adventista é Você?

Prezado amigo Adventista,

Utilize a tabela abaixo para descobrir com que grupo você se identifica melhor. Observe que a tabela abaixo é sugestiva apenas, não exaustiva. Há muitas categorias que não estão aí e muitos não se identificarão somente com um grupo. Baseie suas respostas abaixo no grupo com se identificou mais e ESCOLHA "SIM" SOMENTE EM UM GRUPO para melhor classificação dos resultados.

Um abraço
André Reis
Adventismo Hoje
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Que Tipo de Adventista é Você?

A Diversidade Como Uma Vantagem

A Igreja Adventista do Sétimo Dia não é hoje e - assim como na geração inicial, nunca foi - um corpo religioso monolítico. Pessoas com status de membros da igreja Adventista são diferentes em línguas, status sócio-econômico, a identidade racial, e até mesmo em crenças religiosas. A variedade de crenças pode ser explicada por costumes das sociedades representadas pela membresia, e alguns pelo nível da devoção à vida espiritual, mas, mesmo após esses fatores terem sido levados em conta, há uma diversidade de crenças religiosas entre nós.

O que vamos fazer com esta observação? Uma resposta é negar e argumentar contra a observação, mas a evidência está ao nosso redor há gerações. Outra resposta é se energizar para corrigir essa "triste" realidade. Nesta resposta, os subgrupos Adventistas em ascendência política promovem os seus valores e prioridades e esperam que o resto de nós comprem a idéia ou, mais precisamente, a sua visão do adventismo. Certamente isso levaria à finalização do trabalho (isto é, a Igreja Adventista cumpre a sua missão triunfante), porque os membros finalmente estariam fazendo isso da maneira que deveria ser feito.

Não devemos nos surpreender se em vários momentos de nossa história tem havido expurgos políticos para purificar a liderança da Igreja Adventista a fim de promover esses objetivos. Então, quando outro subgrupo retém a visibilidade, eles entram em sua própria campanha para cumprir a sua visão da igreja. Dizem assim "Eu desejei poder estar no comando para o próximo ciclo, porque aí eu sei que a igreja seria o que foi chamada para ser. Se eu pudesse moldar o seu destino; se eu pudesse ser rei!"

Medindo a Diversidade Adventista
Obviamente, esta resposta é ineficaz. Podemos já ter aprendido que a diversidade é muitas vezes um elemento muito positivo em um grupo social. Nesta visão, a diversidade não é passiva, mas uma vantagem. Este conceito de diversidade como um atributo positivo é difícil de aceitar quando se tem uma visão monolítica do adventismo, em que todos os adventistas são verdadeiros "como eu sou." É tempo de um novo teste do que constitui um verdadeiro Adventista ser desenvolvido, e ele precisa ser mais gentil do que a conclusão de que um verdadeiro Adventista é "como eu sou". Adventistas verdadeiros poderiam têm crenças diferentes, e os Adventistas reais poderia estar em ambos os lados da equação. Uniformidade na adesão e devoção a um determinado conjunto de crenças religiosas detalhadas, às vezes conhecidas como questões discutíveis, não é explicitamente necessário nos Evangelhos ou por Cristo em seus ensinamentos para que um converso seja considerado legítimo. Divergências são benéficas, porque tal uniformidade não é realista para qualquer grupo de adeptos, especialmente porque o grupo que está sendo examinado cresce a partir de dezenas de milhares de pessoas e com o passar de anos e séculos.

Na tabela abaixo, eu delineio tendências características de alguns dos subgrupos dentro do Adventismo nos Estados Unidos. Os rótulos para as categorias são subjetivos e não se destinam a ser ofensivos; identidades individuais para os leitores provavelmente não se alinham em uma única coluna. Eu não trabalhei para fazer a tabela precisamente exata, minha intenção é ilustrar a diversidade de prioridades e valores de acordo com a religiosidade dos grupos. A maioria das dimensões abaixo são consideradas discutíveis, e nós muitas vezes as disputamos entre nós!

Apesar da estereotipagem dos vários subgrupos de adventistas
na tabela abaixo, a categorização que tenho feito não é proposta como uma descrição precisa. Tenho certeza de que muitos leitores poderiam rever a tabela para torná-la mais precisa a partir de sua perspectiva, mas esse não é o meu ponto.

A totalidade da gama de crenças, valores e prioridades indicadas ilustra o meu ponto: a Igreja Adventista não é uma organização monolítica homogênea, mas sim um povo diverso, mesmo em muitos aspectos de seus sistemas de crença. Os indivíduos dentro de cada um dos grupos acima deve identificar-se como verdadeiros os adventistas, que vivem com fortes convicções sobre questões espirituais, mesmo que alguns podem ter sérias dúvidas sobre a autenticidade de outras pessoas com diferentes valores dentro do espectro Adventista.

Novos Critérios
Mais uma vez, eu pergunto, o que devemos fazer desta observação da diversidade de crenças? Minha recomendação é que consideremos novos critérios a serem aplicados para identificar se somos ou não adventistas de verdade. Pessoas em dúvida se realmente pertencem a um grupo religioso como a Igreja Adventista deve perguntar-se:

• Eu quero pertencer a esse grupo?
• As minhas crenças e valores (crenças centrais e essenciais) são suficientemente compatíveis com as crenças do grupo e os valores para que eu me sinta confortável aqui?
• A minha associação com este grupo vai ser útil para mim espiritualmente? Estou aberto a aprender com o grupo?
• Vou pertencer e ser aceito socialmente?
• Estou disposto a não trabalhar ativamente contra os ensinamentos e os valores centrais do grupo ou ainda procurar a perturbar os ministérios do grupo?
• Estou disposto a não ser monomaníaco sobre minha idéia favorita teológica ou questão discutível, em que toda discussão acaba sendo de alguma forma sobre a minha idéia favorita?
• Estou disposto a apoiar, pelo menos, alguns dos ministérios do grupo com o meu tempo, talentos e contribuições financeiras?


Se a pessoa responde sim a todas as perguntas acima, então a pessoa deve ser boa o suficiente para continuar a pertencer ao grupo, e o grupo deve aceitar o indivíduo como um verdadeiro membro. Por este critério, as quatro categorias de adventistas históricos, conservador, evangélico, e progressista poderiam ser adventistas legítimos e deveriam considerar membros de outros grupos como adventistas reais, mesmo que eles não são "como eu sou."

Há ainda um outro grupo de adventistas entre nós, um quinto grupo não incluído na tabela acima. Este grupo que poderíamos chamar de adventistas culturais, cuja comunhão entre nós é conduzida menos por convicções espirituais e mais por rotinas e relações sociais como família e amigos dentro da igreja. Eles valorizam essas conexões o suficiente para estar em comunhão, mas para uma variedade de razões que não têm fortes convicções sobre as doutrinas da Igreja Adventista. Eles provavelmente poderia responder sim a todas as perguntas acima, mas eles podem não ter examinado minuciosamente as suas próprias crenças e valores. Alguns crentes culturais desenvolvem em crentes convictos ao longo do tempo, então vamos mantê-los próximos à igreja!

A Igreja Adventista tem um interesse válido na verificação do novo membro, com um conjunto de crenças fundamentais antes da admissão à igreja; mais tarde, os critérios acima poderiam se aplicar. No entanto, apresso-me em fazer a distinção de que ser aceito por Deus como um verdadeiro crente no momento da conversão de alma e ser aceito pela Igreja Adventista como um membro completo inicial são eventos diferentes.

Dentro da história adventista e sua visão do futuro informados pelos escritos de Ellen White, há uma expectativa de que os crentes serão "sacudidos" em algum ponto. Com o diálogo com freqüência incivil entre vários subgrupos de adventistas, é fácil imaginar adeptos em cada extremo do espectro deixando a comunhão da igreja oficial por desgosto. Isso é a sacudirura? Se assim for, estamos perdendo pessoas de ambos os lados histórico e progressista da igreja Adventista; o fenômeno aparente da sacudidura é uma oportunidade niveladora quando aqueles com mais posições extremas desistem da igreja por não se conformar com seus ideais. Eu também temo que estamos perdendo, por vezes, as pessoas moderadas por desilusão com as intrigas internas e  cansaço com a discussões políticas que há entre nós.

Diversidade Como Força
Se considerarmos a diversidade como uma força, então quando perdemos adeptos ao espectro de crenças SDA, perdemos bens valiosos. Essa diversidade tem o potencial para corrigir ou pelo menos manter sob controle as nossas piores tendências como um grupo, e nós realmente precisamos dessa virtude como uma das formas divinamente destinadas ao crentes em comunhão de manter a organização saudáve e fiel à missão, uma visão apoiada por Ellen White. A Igreja Adventista é mais forte quando se inclui a diversidade de crenças, e nós devemos desafiar aqueles que diriam "Já vai tarde!" aos membros que são diferentes de nós. A partir desta perspectiva, nenhum de nós tem o lugar para dizer, "Ou nos ame ou saia. "Devemos estar dizendo: "Ame-nos e nos ajude a ser melhor", se mantendo conectado, permanecendo em diálogo, e respeitando a legitimidade das outras posições, mesmo que sejam diferentes das nossas. Podemos concordar em discordar, podemos respeitar a legitimidade de adeptos com as posições diferentes que a nossa, e nós podemos trabalhar em conjunto com um espírito de amor fraterno.

Precisamos de um espectro de crenças dentro do adventismo, mesmo que isso seja doloroso para alguns de nós. Esta diversidade de crenças é normal e, em última análise, positiva para o funcionamento de qualquer igreja, se a liderança pode "mantê-los juntos." Precisamos de líderes que possam orientar o nosso diálogo ao estilo das conversas animadas entre membros da família, que discordam, mas ainda amam um ao outro e que os consideram reais membros da família. Onde isso aconteceu, foi um poderoso testemunho da graça de Deus na vida dos crentes, uma graça que traz uma unidade de propósito em vez de uma uniformidade de opinião discutível.

Por muitas gerações, a Igreja Adventista tem experimentado diversidade de crenças de seus membros. Esta diversidade, por si só, não é um problema para servir a Deus fielmente como uma organização. No entanto, a maneira pela qual lidamos com essas diferenças durante algumas eras tem sido um problema em nossa igreja, e isso tem levado a conflitos internos e lutas de poder que eram essencialmente uma forma de conflito político. É o momento de aceitamos que a a diversidade dentro do adventismo veio para ficar, como uma força em potencial, e aprendermos a respeitar os membros que optam por ficar em comunhão, mesmo que eles não sejam exatamente "como eu sou." Dentro da Igreja Adventista do Sétimo Dia, há uma variedade de pensamento sobre crenças discutíveis, mas devemos buscar a considerar um ao outro como  legítimos Adventistas. Diversidade de crenças pode ser uma vantagem, e essa diversidade pode estar sob a tenda do adventismo.

Dr. Rob Erwin é  ancião de sua igreja Adventista local e faz parte do corpo docente da Niagara University, em Lewiston, New York. [Fonte: Adventist Today, Outono de 2011.]


Adventismo Relevante: O leitor deve observar que é difícil senão impossível querer precisar "tipos de Adventista"  de maneria exata, até porque a própria palavra "diversidade" pressupõe que há diversidade inclusive dentro dos subgrupos abaixo. Seria como tentar encaixar um indivíduo dentro de um só dos quatro temperamentos de Hipócrates.

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Bispos Católicos Advertem o Congresso Americano Contra Ameaças à Liberdade Religiosa

Bispos Católicos dos EUA despacharam seu novo embaixador para a liberdade religiosa para alertar o Congresso em 26 de outubro que as pessoas religiosas correm o risco de ser rotuladas de "fanáticos" sem maiores proteções de consciência.

O Bispo William Lori de Bridgeport, Connecticut, presidente de um novo Comitê Ad Hoc para a Liberdade Religiosa da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, disse que os bispos têm sido vilipendiados por suas crenças religiosas contra o aborto, casamento gay e controle de natalidade.

"Se o rótulo de 'intolerante' adere a nossa igreja e muitas outras igrejas - especialmente no tribunal, nos termos da Constituição - por causa de seus ensinamentos sobre o casamento, o resultado será conflitos Igreja-Estado, durante muitos anos por vir", Lori disse à Subcomissão da Câmara sobre a Constituição.

Lori foi uma das três testemunhas chamadas a depor sobre o estado da liberdade religiosa em todos os EUA. Embora os três concordaram que a liberdade religiosa nos Estados Unidos está ameaçada, eles divergiam sobre qual liberdade religiosa está mais ameaçada.

"As ameaças mais iminentes e flagrantes à liberdade religiosa de hoje são aqueles que são sofridas por membros de religiões minoritárias e não- crentes neste país", disse o reverendo Barry Lynn, diretor-executivo da Americanos Unidos pela Separação entre Igreja e Estado.

Colby May, advogado do Centro Conservador Norte-americano de Direito e da Justiça, ecoou a preocupação de Lori de que os esforços para legalizar o casamento homossexual violam os direitos daqueles que acreditam no casamento tradicional.

O presidente  da subcomissão o Deputado Trent Franks, R-Arizona, foi em grande parte simpático às queixas de Lori e May. "Qual é o impacto que essa incapacidade de fazer exceções para as crenças religiosas tem sobre a igreja?" ele perguntou ao Bispo Lori.

Lori observou que as agências cristãs de Illinois igreja têm sido impedidas de assistência social e serviços de adoção porque se recusam a colocar as crianças com casais do mesmo sexo sob a lei estadual de novos sindicatos civil.

Lori, que perdeu uma tentativa de bloquear o casamento gay em seu estado, disse que a crença de que o casamento só pode ser entre um homem e uma mulher "não tem qualquer semelhança com a discriminação racial", e é por isso que as leis podem exigir as agências de adoção para servir os casais inter-raciais, mas não para servir gays ou lésbicas.

(Fonte: Adventist Review).

Adventismo Relevante: A leitura apocalíptica adventista tradicional que faz da Igreja Católica o centro do cenário escatológico  encontra dificuldades em explicar essas iniciativas dos altos escalões da Igreja Católica para a proteção da liberdade religiosa que confrontam a noção de uma Igreja Católica preocupada em derrubar leis e se imiscuir nos governos a fim de oprimir um remanescente fiel. Sem dúvida é necessária uma abordagem mais sensata aos eventos finais que não singularizam este ou aquele grupo religioso e que ainda mantém uma leitura equilibrada de Apocalipse 13.
 
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O Mito do "Caráter de Ouro"

Ouve-se muito de pregadores adventistas a seguinte declaração: "Jesus não vai mudar você quando ele voltar, você vai pro céu com o mesmo caráter que tem agora!"

Esse apelo é baseado numa passagem de Ellen White que diz o seguinte: 

Sairemos da sepultura com a mesma disposição que manifestamos em nosso lar e na sociedade. Jesus não altera o caráter em Sua vinda. A obra de transformação tem de ser efetuada agora. Nossa vida diária está determinando o nosso destino. Precisamos arrepender-nos dos defeitos de caráter, vencê-los pela graça de Cristo e formar um caráter simétrico neste período de prova, a fim de que sejamos habilitados para as mansões lá do alto." (Eventos Finais, 295) 

Uma primeira observação importante: ela não diz caráter perfeito e sim simétrico. Ademais, o contexto original da passagem (Manuscript Releases 13:82) revela que Ellen White está falando sobre a influência dos pais sobre os filhos e da importância do cuidado com as palavras usadas no lar,  pela demonstração de amor, afeto, paciência etc.
George Knight em seu livro "Como Ler Ellen White" nos adverte sobre a importância de discernir entre declarações de Ellen White que apontam para um ideal e as que falam do real:

Ellen White constantemente entristeceu-se com os que selecionam de seus escritos “as expressões mais fortes dos testemunhos e sem fazer uma exposição ou um relato das circunstâncias em que são dados os avisos e advertências, querem impô-los em todos os casos. [...] Escolhendo algumas coisas nos testemunhos, impõem-nas a todos, e, em vez de ganhar almas, repelem-nas. Quando Ellen White fala do ideal, ela emprega sempre sua linguagem mais forte. É como se ela sentisse a necessidade de falar em alta voz para ser compreendida.”  (George Knight, "Como Ler Ellen White,"  99, http://www.scribd.com/doc/66084171/Como-Ler-Ellen-White).

Creio que o problema da interpretação dessa passagem é confundir natureza pecaminosa com caráter. É possível desenvolver um caráter que está constantemente voltado às coisas de Deus, apesar de nossa natureza pecaminosa, que será removida por ocasião da vinda de Cristo. É possível viver "com os pés na terra e olhos no céu" como diz a famosa canção. Por isso,  o uso que é feito dessa passagem infelizmente tende a apoiar o perfeccionismo, que não é seu objetivo! Sem dúvida, tal leitura acaba colocando Ellen White contra o apóstolo Paulo que diz

Eis aqui vos digo um mistério: Nem todos dormiremos mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos serão ressuscitados incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade. Mas, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrito: Tragada foi a morte na vitória. (1 Cor. 15:52-54)
  
Essa transformação de corruptível para incorruptível também inclui nosso caráter deficiente e imperfeito, nossa natureza pecaminosa, nossas tendências ao mal bem como nosso corpo mortal. O que não mudará será nosso desejo de estar para sempre com Deus, que deve começar hoje!

Por isso, quando Ellen White nos incita a desenvolver um "caráter simétrico" que estará preparado para o céu, creio que seu objetivo não é levar-nos às raias do "perfeccionismo sem pecado" como passaporte para as mansões celestiais, mas sim ao desenvolvimento de uma constante submissão à vontade de Deus e desejo de fazer sua vontade que se revela numa disposição humilde e positiva, serviçal. Afinal, esse é o caráter dos seres não caídos: eles fazem a vontade de Deus de dia e de noite. 

Em nossa esfera pecaminosa, desenvolver um caráter que esteja sempre voltado às coisas de Deus é de suma importância, apesar de nossas falhas e limitações da impossibilidade de desenvolver um caráter absolutamente imaculado, sem propensões ao pecado, sem erros ou falhas. Somente Jesus teve um caráter sem propensões ao pecado e por isso ele pode salvar "perfeitamente" os que por Ele se achegam a Deus.
  
Como saber se nosso caráter está agora preparado para o céu? Ellen White ilumina a questão ao sugerir as seguintes perguntas:

Quem possui nosso coração? Com quem estão nossos pensamentos? Sobre quem gostamos de conversar? Quem é o objeto de nossas mais calorosas afeições e nossas melhores energias? Se somos de Cristo, nossos pensamentos com Ele estarão, e nEle se concentrarão as nossas mais doces meditações. Tudo que temos e somos a Ele será consagrado. Almejaremos trazer a Sua imagem, possuir Seu Espírito, cumprir Sua vontade e agradar-Lhe em todas as coisas. (Caminho a Cristo, 58).
  
E compare a declaração acima com essa:

Eu nunca ousei dizer: "Sou santa, sou sem pecado", mas procuro fazer de todo o meu coração o que acho ser a vontade de Deus, e tenho a doce paz de Deus em minha alma. Posso confiar o cuidado de minha alma a Deus, como a um fiel Criador, e sei que Ele guardará o que foi entregue aos Seus cuidados. A minha comida e bebida é fazer a vontade do meu Mestre (ME 3, 354).

Aí está o segredo, procurar fazer de todo o coração a vontade de Deus. Ellen White continua


Não podemos dizer: "Sou sem pecado", até que seja transformado este corpo abatido, para ser igual ao corpo da Sua glória. Se, porém, procuramos constantemente seguir a Jesus, pertence-nos a bendita esperança de ficar em pé diante do trono de Deus, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante; completos em Cristo, envoltos em Sua justiça e perfeição. (ME 3, 354)

e finalmente:

Não devemos fazer de nós mesmos o centro, nutrindo ansiedade e temor quanto a nossa salvação. Tudo isto desvia a alma da Fonte de nosso poder. Confiai a Deus a preservação de vossa alma, e nEle esperai. Falai e pensai em Jesus. Que o próprio eu se perca nEle. Ponde de parte a dúvida; despedi vossos temores. Dizei com o apóstolo Paulo: "Vivo, não mais eu, mas Cristo vive em Mim, e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e Se entregou a Si mesmo por mim." Gál. 2:20. Repousai em Deus. Ele é capaz de guardar aquilo que Lhe confiastes. Se vos abandonardes em Suas mãos, Ele vos tornará mais que vencedores por Aquele que vos amou. (Caminho a Cristo, 60 e 61).

Não, amigo, nosso caráter não será a chave de ouro que abrirá os portões celestiais. Só entrarão ali os que estiverem cobertos pelo sangue de Jesus, pelos méritos de sua vida e caráter perfeitos e pelo seu sacrifício em nosso favor.
 
Seja feliz hoje, você foi aceito por Deus em Cristo. Não tente buscar a perfeição sem pecado ou um caráter imaculado. Tentativas desse tipo só levam ao desespero e depressão espirituais. Esse não é o objetivo da vida Cristã. Se isso fosse possível, Jesus não teria dado sua vida por você! Procure as coisas de Deus hoje com todo o seu coração, comece sua vida eterna hoje. Faça seu melhor. Deixe o resto com Deus.

Aquele que crê no filho, tem [hoje] a vida eterna." João 3:36

Um abraço!
André Reis

Leitura recomendada:
1. "Impecabilidade e Salvação." Mensagens Escolhidas, Vol. 3, 353-357.
2. "Obediência, um Privilégio," Caminho a Cristo,  57-67.


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O Vaticano e Um Sistema Financeiro Mundial

Como é comum em nosso meio, a cada pequeno movimento do Vaticano, as lampadazinhas se acendem nas cabeças adventistas: seria esse novo desdobramento o estopim da lei dominical predita no Grande Conflito?

Recentemente, o Vaticano, mais especificamente o CPJP (Conselho Pontífico ou Justiça e Paz) entrou na fogueira das discussões financeiras que abalam o mundo ao propor um governo financeiro mundial como a solução para as profundas desigualdades sociais atuais.

É importante ressaltar que a proposta de uma central financeira está em um só parágrafo de um documento de 40 páginas. Idéias similares têm sido propostas por economistas desde os 1940s. Isso não é iniciativa do "Vaticano".
E ao contrário da tendência Adventista de demonizar qualquer iniciativa católica, a sugestão de um poder centralizado na tentativa de igualar as oportunidades financeiras no mundo deveria ser vista como uma oportunidade para o diálogo sobre a desigualdade social, que é justamente o objetivo do documento. É profundamente ingênuo querer considerar um documento desses como detentor do poder de mudar o mundo financeiro.

E a idéia de um governo econômico central que ajude a estabilizar a economial global, por incrível que pareça, está mais próxima do evangelho social que diminui a fome e a dor no mundo, ideais esses que vemos na vida do próprio Jesus.

De fato, os programas sociais da Igreja Católica têm um imenso impacto positivo sobre a sociedade. Compare os números do programa da Caridade Católica com os da ADRA:

Só nos EUA, as Caridades Católicas serviram 8 milhões de novos clientes em 2006, com um orçamento anual de 4.3 bilhões de dólares nos EUA enquanto a ADRA teve orçamento mundial de 73 milhões de dólares. (Fonte: Revista Forbes).

Em vez de usarmos essa breve e pequena sugestão do Vaticano para justificar nossos próprios pressupostos proféticos, caindo assim no triunfalismo, que tal aproveitar o momento para engajar a sociedade no diálogo pela igualdade social, o combate à pobreza, à fome, à miséria? 

Isso sem dúvida seria mais louvável do que cair em teorias de conspiração mirabolantes que tendem a meramente legitimizar nossas leituras apocalípticas do que exaltar o plano de Deus para a Igreja na sociedade.

E será que os adventistas que criticam o Vaticano por essa sugestão na realidade preferem o sistema capitalista das economias fragmentadas e opressoras que ao mesmo tempo que enriquece países de primeiro mundo, trata com indiferença bilhões de seres humanos que passam fome e necessidade todos os dias?

Veja a análise de um padre católico sobre o documento:

"Obviamente, aqueles que participaram neste documento juntos acreditam que estão contribuindo para encontrar uma solução para a atual crise financeira global. Infelizmente, eles não conhecem de história. A Justiça Social Católica enuncia princípios para o bom governo e o bem-estar humano. Ela não tenta criar novas unidades ou modos de governo. A especialidade da Igreja está em outro lugar - a pregação do Evangelho. Afinal, Jesus não disse: "Meu reino não é deste mundo"?"
(Padre Michael P. Orsi; Fonte: http://www.crisismagazine.com/2011/a-misguiding-note-from-the-vatican)


http://spectrummagazine.org/sites/all/themes/blueprint/images/lquote.pngAcima de tudo, a ânsia Adventista em olhar o Catolicismo como "diabólico" é baseada  numa leitura medieval do Catolicismo que  ignora as profundas mudanças pelas quais passou a Igreja Católica Apostólica Romana desde o Concílio do Vaticano II na década de 1960. Além disso, a visão Adventista tradicional para os eventos finais falha ao ignorar o impacto do Islamismo sobre o mundo religioso atual. Não há dúvidas que a confrontação apocalíptica contra cristãos fiéis se dará através de um conluio político-religioso nos fins dos tempos, como sempre o foi em realidade. Mas tudo indica que esse conchavo será muito mais abrangente do que o simplista: Estados Unidos & Vaticano proposto pela leitura tradicional Adventista."

Ellen White tem um sábio conselho para Adventistas: dediquem menos atenção ao Catolicismo:

"Podemos ter menos a dizer em alguns sentidos quanto ao poder romano e ao papado, mas devemos chamar atenção para o que os profetas e apóstolos têm escrito sob a inspiração do Santo Espírito de Deus..." (Testemunhos Para Ministros, 112).


Nossa missão apocalíptica não deve ser manchada por tentativas especulativas de querer conferir peso profético para cada passo do Papa Bento 16 e do Vaticano. Nosso chamado está acima de leituras questionáveis de eventos cotidianos que tendem a tirar os olhos do alvo supremo que é a pregação do Evangelho para que então venha o fim. Estamos invertendo a grande comissão de Cristo, insistindo em pregar o FIM para que então as pessoas se interessem no evangelho Adventista.

Sugiro que paremos de legislar em causa própria e com as teorias de conspiração tendenciosas, alarmistas e extremistas em nosso meio que em nada melhoram a influência Adventista na sociedade.

Um abraço!

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Como Vender o Adventismo


O artigo abaixo foi publicado pela USA Today  com o título "Como Vender o Cristianismo" modificado aqui porque tem aplicações válidas ao Adventismo. 
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Jim Henderson é um evangelista em recuperação. Quando em seus dias de perseguidor de almas e plantador de igrejas, ele começou a ouvir uma dissonância entre sua fé em Jesus e a maneira como ele procurava ganhar novos conversos. Henderson percebeu que ele estava fazendo aos outros o que nunca iria querer fazer a si mesmo. Ele estava manipulando todos seus contatos com as pessoas para chegar às suas segundas intenções. Ele via as pessoas como potenciais prêmios e distintivos de sucesso em sua “farda evangelística” em vez de amigos em potencial. Ele ouvia apenas à medida em que poderia revelar uma abertura argumentativa. Ele percebeu que odiava de corpo e alma a tudo isso.

“Eu disse às pessoas em minha igreja, 'Eu não gosto dessa maneira de evangelizar, e eu sei que vocês também, então eu decidi que eu estou formalmente renunciando testemunhar. Vocês estão livres para fazer o mesmo", Henderson lembra. “Eu disse, 'Eu amo Jesus, você ama Jesus, e todos nós queremos conectar as pessoas com Jesus. Mas nós vamos ter que descobrir novas maneiras de fazê-lo.” “

Nos últimos 15 anos, Henderson desbravou um caminho novo como inovador, autor e a consultor para igrejas e líder na criação de novas formas de ser pública e persuasivamente cristão no século 21. Talvez a mais subversiva - e sensata - surpresa de todas é o segmento da sociedade no qual este cristão de Seattle, EUA buscou parceiros, amigos e professores: os ateus.

O que poderia possivelmente um cristão aprender com os ateus? Muita coisa, ao que parece. Henderson, assim como muitos seguidores de Jesus, descobriram que  olhar para si mesmo e sua religião através dos olhos dos não-crentes pode ser uma experiência reveladora.

Embora ele tenha mais de 60 anos, Henderson é símbolo de uma onda de cristãos que pretendem corrigir a direção da igreja. Através de pesquisas de opinião pública, diálogo e ouvidos atentos para as mudanças de terreno e tendências, eles estão recebendo a mensagem de que as velhas formas de evangelismo e testemunho já não colam mais.

Essa  mudança tem implicações sérias para a missão de evangelizar - o foco de inúmeras gerações de cristãos bem intencionados obrigados a praticar a Grande Comissão que Jesus estabeleceu no Evangelho de Mateus (“Ide e fazei discípulos de todas as nações” ). A argumentativa abordagem padrão - construída em torno de “leis espirituais,” A-B-C e lógica, proposições preto-no-branco de verdade religiosa - parece mais contraproducente a cada ano que passa, e tem  mais chances de repelir do que persuadir .

Alma a venda

Ao invés de discutir com um ateu, Henderson comprou um. Em 2006, ele ouviu falar sobre um ateu oferecendo sua alma para o maior lance no eBay, pagou $504 e, pasmem, ganhou o leilão. Henderson não tentou converter esse ateu, um estudante de pós-graduação chamado Hemant Mehta. Em vez disso, pediu-lhe para avaliar igrejas e relatar suas descobertas.

Dessa idéia surgiu uma série de visitas a igrejas, relatórios, livros de ambos os Henderson e Mehta e o site de Henderson www.ChurchRater.com (“Dê Um Nota a Essa Igreja”) onde as pessoas lêem e postam comentários sobre igrejas que eles visitaram. Henderson também lançou um ramo de negócio de consultoria de igreja, novamente usando os não-cristãos como parceiros em seu trabalho para ajudar as igrejas a avaliarem-se através dos olhos de estranhos.

O que os cristãos aprendem quando começam a ouvir aos ateus? Henderson, autor do livro a ser lançado “The Outsider Interviews” (“Entrevistas Com os de Fora”), descobriu que o modelo  "Eu estou certo/ você está errado” é um assassino de conversa por excelência. Assim também é falar dos não-convertidos como “perdidos”. “Nada desinteressa mais a um ateu do que ouvir um cristão dizer: 'Eu sei que Jesus é Deus e que eu vou para o céu quando eu morrer', diz Henderson. “Eles também notam que muitas vezes dizemos isso em voz alta e arrogante, o que só serve para reforçar o seu parecer negativo sobre essa certeza.”

Os ateus também têm suspeitas de pessoas que os vêem como “projetos”. Será que o contato contínuo e a eventual amizade com os cristãos dependem de que os ateus se convertam?

Eu “caí na real” sobre a possibilidade de um novo modelo de evangelização em uma conversa pública que tive recentemente com meu amigo Doug Pollock, treinador de evangelismo para o minitério Atletas Em Ação. Pollock tinha me convidado como comentarista de religiões não-evangélicas para acompanhá-lo em sua palestra em um evento de treinamento de evangelismo em uma mega-igreja na área de Portland. Quando Doug me pediu que conselho eu daria para os missionários ainda  em formação, a resposta veio rapidamente: “Se você quer ter influência”, eu disse, “você tem que estar disposto a ser influenciado e mudar de idéia. Se não,” eu perguntei, “por quê alguém iria querer ter uma conversa com você?” 

“Interlocutores Necessários”

Como o pastor cristão [e adventista] Samir Selmanovic escreveu, as conversas de mão dupla com os não-conversos são vitais para o crescimento espiritual do crente. Selmanovic, autor do livro 2009 é "It's Really All About God” escreveu em um artigo no blog The Huffington Post que os ateus são "amigáveis e desejáveis interlocutores e necessários em nossos contatos. ... Para nós, religiosos, os ateus não são apenas vizinhos preciosos, mas também estranhos que vêem o que não podemos ver e perguntam coisas que não sabemos como perguntar. ... Os ateus são os delatores de Deus”.

Os benefícios fluem em ambas as direções quando cristãos e ateus conversam. Matt Casper, ateu e co-autor com Henderson e de Jim Casper do livro “Ir à igreja” e parceiro de Henderson no site www.ChurchRater.com, diz que seu envolvimento com os cristãos é motivado pelo seu desejo de levá-los a questionar a sua certeza e para ver que os ateus não têm rabos nem chifres. Estar ao redor de cristãos, Casper acrescenta, “fez-me uma pessoa melhor.”

O evangelismo convencional é muitas vezes acusado, e com razão, de utilizar táticas de “isca e anzol”: pense em reuniões sociais ou de esportes que, sem o conhecimento dos convidados, tem na realidade o objetivo de “pescar” pessoas para uma reunião evengelística. Henderson tem uma alternativa fascinante para propor: só usem a isca, sem o anzol.

Chamem isso de “promoção sem a promoção”, evangelismo por atração, ou “deixe sua vida falar por si mesma,” mas isso é o que melhor representa a fé entre muitos que não compartilham a fé evangélica. Henderson e seus companheiros estão certos em insistir que pretensos evangelistas simplesmente conheçam as pessoas, se tornam seus amigos e deixem as fichas espirituais cair no tempo certo.

Esta forma re-imaginada de testemunhar é uma boa notícia para os cristãos que, como Henderson, querem ser “normais”, faz bem para a credibilidade pública do Cristianismo, e para todos os que ainda não são e nunca serão convertidos que não querem parecer coitadinhos, perdidos ou ser demonizados porque  (supostamente) ainda vivem nas “trevas”.

Estes novos representantes de Jesus do século 21 parecem estar chegando na fórmula certa para tornar sua fé real e conhecida nestes tempos de mudança: não há uma única fórmula.
 
Tom Krattenmaker é um escritor especialista em religião e vida pública. Mora em Portland, Oregon e é membro do USA TODAY's Board of Contributors. Ele publicou o livro  Onward Christian Athletes (“Ó (Atletas) Cristãos, Avante) em 2009.

[Tradução por André Reis].
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